Mostrando postagens com marcador Diversos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diversos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Instalação / Escultura: Michel de Broin

Instalação / Escultura: Michel de Broin

Michel de Broin, que já foi reconhecido como artista que tem o talento de fazer os objetos falarem, nasceu em 1970, em Montreal, Canadá. Atualmente trabalha e vive em Berlim.
Para ele, a arte deve ser um projeto sempre inacabado, uma revolução permanente. Suas obras utilizam e respeitam o aspecto convencional dos códigos do espaço público (sinalização nas estradas, mobiliário urbano, código de sinais, etc.),mas ao mesmo tempo sublinham seu aspecto um tanto ou quanto grotesco.
Suas exposições, intervenções e esculturas públicas são sempre ligeiramente irônicas e talvez esteja aí a razão de sua imediata aceitação pelo público.
A obra que mostramos hoje, Escultura de Reflexos, não chega a ser catalogada como instalação, nem como escultura.
Mas não creio que isso interesse muito: vejam as imagens. São necessárias poucas palavras.
Ao avistar um enorme rochedo no meio da floresta o escultor canadense Michel de Broin teve a intuição de o envolver com fragmentos de espelho (foto acima). Depois com cimento e cola adaptou-os ao volume irregular da pedra.
Desde 2004 que essa estranha rocha espelhada (foto acima) se encontra no meio da floresta de Vosges, na França. Percebe-se de imediato que não é nem uma escultura nem uma instalação. É algo híbrido, inclassificável, simultaneamente maciço e leve.

A pedra, grande e com um formato irregular, tornou-se a superfície refletora do espaço à sua volta. Nesse jogo de reflexos brilhantes, a pedra desaparece e nós nos esquecemos que ela está ali. A pedra que não é mais pedra mas uma visão em pedaços da floresta nos reflete também e não somos nós a vê-la e sim ela a nós.

Escultura dos Reflexos
Material: espelho, cola, cimento/Vosges, Alsácia, França
  
Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousap/ blog do Noblat

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Instalações: Subodh Gupta

Instalações: Subodh Gupta

Subodh Gupta (1964) nasceu em Patna, terra do grande e venerado matemático Ariabata (476-550), o primeiro dos grandes astrônomos da antiguidade hindú.
Sua primeira opção foi a pintura, mas curioso, resolveu experimentar diversas meios de expressão. Seu trabalho engloba pintura, escultura, fotografia, performances, vídeos e instalações.
Ele ficou mais conhecido por incorporar objetos de uso diário muito comuns na Índia, como as marmitas de alumínio que milhões de pessoas carregam para levar seu almoço diário, assim como panelas, travessas, tabuleiros, filtros, formas, etc.


Acima, a escultura Deus muito faminto, feita em 2006 com centenas de utensílios de cozinha; mede 2.40x1.50x2.05. Quando fotografada, fazia parte de uma mostra no Regent’s Park de Londres.
Com esse material Gupta cria esculturas que refletem as transformações econômicas de sua terra natal e que se relacionam com sua história pessoal.
Abaixo, Derramar: Gupta usa muitas das técnicas originais do conceitualista francês Marcel Ducahmp, ao fazer de objetos banais da vida obras de arte. Um imenso balde de aço inoxidável recebeu muitos pequenos objetos também de aço que escorrem do balde como água sendo derramada. Dimensões: 1.70x1.45


“Tudo isso fez parte da minha infância, da minha vida de menino e rapaz. São objetos usados no dia a dia, ou em rituais e cerimônias. O hindus gostam de revê-los para também lembrar de sua infância ou para avivar sua recordação deles.
Eu sou o ladrão de ídolos. Roubo do drama da vida hindu. E da cozinha – essas panelas e potes são como deuses roubados e contrabandeados para fora do país. Na Índia, as cozinhas são tão importantes quanto as salas de oração”.
Abaixo, Linha de Controle. Essa gigantesca escultura é um cogumelo que simboliza a tensa realidade quase sempre prestes a explodir. Mas na instalação de Gupta tudo explode numa nuvem de utensílios domésticos, dessa vez em cobre - de modo espirituoso, propondo prosperidade, paz e harmonia.

 


Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa  para o blog do Noblat

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Instalações: Jean Shin


Instalações: Jean Shin

Jean Shin já é reconhecida em muitos países pelas instalações que transformam objetos do dia a dia em elegantes expressões de sua nova identidade. Para cada projeto ela junta vastas quantidades de um objeto em particular – vidros de remédios, chaves, guarda-chuvas quebrados – que muitas vezes recebe de moradores de uma comunidade participativa.
Esses objetos depois se tornam ricas esculturas conceituais, ou vídeos, ou instalações em locais específicos.
Mostro hoje dois exemplos. Acima, Onda de Som, de 2007. Discos de 78rpm parcialmente derretidos e esculpidos de modo a criar uma onda cascateante, onde sobressaem os pontos coloridos das etiquetas. A estrutura nos faz pensar nas inevitáveis ondas tecnológicas que tornam cada geração de mídia gravada objetos obsoletos. Também tem por objetivo manifestar fisicamente o quão efêmero é o gosto musical das pessoas em nossos dias, como se pode ver pela quantidade de discos descartados.
Abaixo, outro ângulo da mesma escultura de discos montados numa armação de madeira; a instalação mede 1.58m de altura x 3.65m de largura  e pertence à Brooklyn Academy of Music, New York.
Reconhecida pelo processo minucioso e pelo trabalho intenso em prol da comunidade, as impressionantes instalações de Shin refletem o modo de vida dos moradores assim como os temas coletivos que enfrentamos como grupos sociais.
As obras de Jean Shin já figuram em grandes museus americanos, dentre os quais o Smithsonian American Art Museum, em Washington D.C e o MoMA, em NY. Sua criatividade impressiona.
Vejam como é interessante esse Tecido, de 2006 (abaixo). Nessa escultura interativa, milhares de teclas recicladas foram unidas de modo a formar um tecido. Os teclados transcrevem linha por linha a correspondência entre a artista e os fabricantes do tecido quando projetavam a instalação. Como resultado, a escultura documenta sua própria criação.
Os espectadores podem datilografar suas mensagens nas teclas ativas que ocupam as três primeiras fileiras. Essas mensagens são transmitidas para o lado oposto do tecido, continuando o diálogo virtual.
A obra fala da invasão do e-mail em nossas vidas ao mesmo tempo que comenta o fato da moderna tecnologia da comunicação virtual estar ligada à sensação táctil de mover nossos dedos sobre um ultrapassado sistema de datilografia.
Material: 22.528 teclas de computador recicladas e 192 teclas feitas especialmente para o projeto, tecido, um teclado ativo, um software interativo, uma projeção em vídeo e armações de alumínio pintado. Em colaboração com o The Fabric Workshop and Museum, Filadelfia. 0.79 de espessura, 1.21m de largura e, até o instante da foto abaixo, 6m de comprimento.
Nascida em Seul, Coreia do Sul, e educada nos EUA, Jean Shin tirou seu bacharelato e título de mestre no Instituto Pratt, no Brooklyn.

 Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -para o blog do Noblat

terça-feira, 17 de abril de 2012

Instalações: Nick Georgiou

Instalações: Nick Georgiou

Aconselho a clicarem aqui antes de ler o post de hoje.
Nick Georgiou nasceu em Nova York, em 1980. Formado pela Escola de Artes Tisch, da Universidade de Nova York, trabalhou como Designer de Produção e Diretor de Arte para filmes independentes até resolver se dedicar exclusivamente à escultura.
Georgiou cria esculturas de papel jornal cuidadosamente costurados à mão que ele integra ao ambiente urbano. Suas esculturas dão vida nova a livros e jornais velhos e pretendem restaurar a importância da palavra impressa na sociedade contemporânea.

Papel Humano
Segundo ele, o mundo vive um momento de confusão e tumulto tanto contra ele próprio, o nosso planeta, como contra o ser humano que o habita. Ao mesmo tempo, as pessoas nunca estiveram tão ligadas umas às outras como agora, graças aos progressos tecnológicos.
A era digital revolucionou os conceitos de espaço e localização. Transformou completamente o modo como nos vemos e o mundo onde vivemos. Cada vez mais pessoas descartam a leitura no papel para se informar ou se divertir em computadores e tablets.

O Bom Papel
Nosso modo de interagir com um texto está mudando. Estamos perdendo algo tangível. A arte de Georgiou pretende que encaremos essa transformação como sendo fruto do imediatismo da mídia e do desejo que se apossou de nós de estarmos ligados à notícia nas 24 horas do dia.

Vira-Lata
Muitas de suas obras são encomendas da Oxford University Press e do Washington Post Corporation.

Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -p/ blog do Noblat

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Instalações: Damián Ortega

 

Instalações: Damián Ortega

Não sei explicar o motivo, o fato é que neste fim de semana, ao navegar em busca de boas imagens para o post da Obra-Prima, não me deu vontade de falar de outra coisa a não ser de espantos e assombros. Mas que fossem belos e inteligentes e nunca espantosamente horrendos como as notícias que bombardeiam nossas almas.
E me decidi por obras contemporâneas. Não se trata, para mim, de tema fácil, portanto peço que vocês me perdoem e se satisfaçam com mais imagens que textos. Não pensem por favor, que foi por não dar importância ao artista do qual vou falar: a verdade é que sei muito pouco sobre arte contemporânea.
Não tem texto de minha autoria esta semana, pois. Tudo é copiado dos sites dos artistas ou das boas galerias onde eles expuseram.
Para começar escolhi Damián Ortega, nascido no México em 1967. Com Ortega os objetos nunca estão em sossego: ele os suspende, rearranja, parte em pedaços, divide, recria. Chamam a atenção para o dinamismo do mundo à nossa volta e da poesia que se esconde de nossos olhos nos tumultuados dias que vivemos.
Ele iniciou sua carreira artística como cartunista político o que certamente explica o humor sutil e incisivo no uso surpreendente que faz de objetos familiares como tijolos, velhas ferramentas, garrafas de Coca-Cola, tortillas e até de um Fusca 1989 que desmontou e remontou de maneira imaginativa e divertida (Jessica Morgan, curadora da Tate Modern, Londres e curadora adjunta do ICA (Instituto de Arte Contemporânea de Londres).


Em um de seus mais incensados trabalhos, Cosmic Thing (2002), Ortega usou um Besouro da Volkswagen, um ícone do design industrial democrático. Ele desmontou meticulosamente o carro e com fios de arame pendurados no teto posicionou, suspensas, cada uma das peças do carro como se fosse um manual mecânico ou uma mostra de história natural (foto acima).
Criado na Alemanha nazista o pequeno automóvel, eficiente e de baixo custo, tornou-se conhecido no mundo inteiro por seu nome de batismo, o carro do povo. Um sucesso de vendas, o Fusca, seu apelido no Brasil, logo se espalhou pelo mundo. Sua mecânica simples e a facilidade em comprar e trocar peças precisando de reposição fizeram dele o carro mais usado também na Cidade do México, sendo visto por muitas pessoas como a promessa de progresso.
O interesse de Ortega, mexicano, em usar um Fusca1989 na exposição que chamou de Cosmic Thing não se deve apenas ao seu gosto por montar e desmontar objetos, mas sobretudo por um motivo mais candente: chamar atenção para temas sociais, políticos e econômicos. E para a ocidentalização de seu país.


Já com o Controlador do Universo seu interesse foi somente político. É instalação que consiste em dezenas de ferramentas suspensas no ar e apontando para fora de um eixo imaginário, como se estivessem em plena explosão. Fez parte da exposição chamada Aquilo foi Então... e Isso é Agora, que tinha o objetivo de reavivar os dias de protesto contra a guerra do Vietnã durante a guerra do Iraque (foto acima).
Damián Ortega transita entre suportes variados, discutindo os limites da criação artística ao subverter os significados e funções de objetos cotidianos como tijolos, cadeiras, relógios ou carros. O artista altera, decompõe e transforma os objetos, revelando seus componentes implícitos e simbólicos e criando formas híbridas. (Curadoria da Galeria Fortes Villaça, SP)
Essas duas obras fizeram parte da Bienal de Veneza de 2003.
Clique aqui e conheça mais trabalhos de Damián Ortega

Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -p/ blog do Noblat

 

sábado, 14 de abril de 2012

“O Sonhador" e "Os Vários Estágios da Vida" de Caspar David Friedrich

Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Souza para o blog do Noblat

 

Pintura: Os últimos anos de Caspar David Friedrich


Embora querido e respeitado na Academia de Dresden, foram os nobres prussianos e membros da corte imperial russa que em suas viagens não deixavam de passar por essa belíssima cidade, grande centro de estudo das artes, famoso em todo o norte da Europa, que divulgaram a obra de Friedrich ao comprar seus quadros e desenhos. 
Eis o motivo pelo qual parte expressiva de sua obra figura nas coleções da Alte Nationalgalerie de Berlim e no Hermitage de São Petersburgo, como por exemplo o belo e talvez depressivo O Sonhador (1820? 1840?) (imagem acima).
Os últimos anos de sua vida não foram felizes. O mais conceituado de todos os românticos, Goethe, foi dos primeiros a se cansar das telas com tantas alegorias de Caspar David Friedrich... Ao que parece, ninguém é imune aos modismos e, de repente, o catolicismo italiano mais uma vez venceu e o protestantismo germânico, como inspiração para poetas e pintores, deixou de ser vanguarda.
Logo com ele que, além de ser um cultor da paisagem nas artes plásticas, foi dos poucos pintores de paisagens que via tanto a floresta quanto a árvore. Essa rara capacidade faz de suas telas um retrato humano da natureza para ele divina.
No entanto, a figura humana é sempre minúscula em relação à natureza. E a Rückenfigur (pessoa vista de costas para o espectador, de frente para a paisagem, encorajando o espectador a olhar para o que ele olha) é uma constante em suas obras.
Em 1835 ele sofreu um derrame e ficou incapacitado, não pode mais pintar. Viveu mais cinco anos, ignorado e dependendo da caridade dos amigos. Como com vários outros artistas, a posteridade corrigiu a injustiça e Friedrich é hoje dos mais admirados e copiados mestres do romantismo alemão.
Os Vários Estágios da Vida, 1835, (imagem acima) é um de seus últimos quadros. As figuras foram identificadas como o pintor e sua família. O homem idoso é o artista, o menino seu filho Gustav Adolf, a menina menor sua filha Agnes Adelheid, a mais velha sua filha Emma e o homem com cartola, o sobrinho Johann Heinrich.
Os cinco navios que chegam, com diferentes distâncias em relação ao porto, são uma clara alegoria aos vários estágios da vida humana, o fim da jornada, a proximidade da morte. A paisagem é Utkiek, perto da cidade natal de Friedrich, Greifswald.

“O Sonhador”, óleo sobre tela, 27x21 cm
Acervo Museu Hermitage, São Petersburgo
"Os Vários Estágios da Vida”, óleo sobre tela, 72.5 x 94 cm
Acervo Museu de Belas Artes, Leipzig, Alemanha

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A Espiritualidade em Friedrich

Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa para o Blog do Noblat

Pintura: A Espiritualidade em Friedrich

Apesar da tranquilidade e harmonia que encontrou em sua nova vida de marido e pai, Caspar continuou a ser um homem atormentado por antigas lembranças. O sofrimento pelo qual passou na infância (a perda da mãe e de um irmão) afetou profundamente a natureza já extremamente sensível do pintor. Ele vivia obcecado com a ideia da morte, com sua fé em Deus e com a paz da Natureza.
A beleza da paisagem solitária da costa do mar Báltico, a cadeia de Montanhas Gigantes (Riesengebirge) e as Montanhas Harz lhe proporcionaram muitos temas para seus quadros. Nas excursões que fazia, Friedrich desenhava os arco-íris, os velhos carvalhos e os pinheiros que via e que tinham, para ele, um imenso significado.
O pintor, influenciado pelas referências góticas e com tudo que adquiriu intelectualmente ao chegar a Dresden, muitas vezes recorria à imagem da abadia cisterciana em ruínas que ficavam próxima de sua casa, na Pomerânia natal, em meio a um imenso bosque de carvalhos; essas imagens, sempre em tom místico e em comunhão poética com o divino que sentia na natureza, foram recorrentes em sua obra (vide quadro acima, Casal Contemplando a Lua, 1818).
“O divino está em toda parte, até num grão de areia”, escreveu. A fusão que ele fez da observação atenta do seu entorno com a piedade que lhe invadia a alma, resultaram em quadros de grande expressão e forte espiritualismo.
O protestantismo repassado pelas artes plásticas na Alemanha do início do século XIX tendia a ver a natureza como mãe pagã mais do que como criação de Deus, bastante próximo do panteísmo, segundo alguns críticos acerbos.
Friedrich é uma exceção. Sua mente, seu coração e seu talento serviam ao Deus cristão. O que não o impediu de entretecer o nacionalismo e o protestantismo com o espírito teutônico que transpirava do gótico, essa a mistura poderosa da arte de Caspar David Friedrich.
Ironia do destino, foi Napoleão, aquele novo Cesar, visto por Friedrich e seus amigos como o Anticristo reencarnado, que ao saquear museus e palácios e levar para o Louvre antigos quadros alemães e dos Países Baixos, quem fez a Europa do Norte tornar a se orgulhar de sua herança medieval. E a lastimar, tardiamente, alguns dos tesouros que tinha em mãos e que lhe foram tomados (como o quadro acima, A Árvore dos Corvos, 1822).

“Casal Contemplando a Lua”, óleo sobre tela, 34 x 44 cm
Acervo Alte Nationalgalerie (Museu de Arte Antiga), Berlim


“A Árvore dos Corvos”, óleo sobre tela, 73.0cm de largura x 60cm de altura.
Acervo Museu do Louvre, Paris

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Friedrich: Os Penhascos de Rügen

Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -para o Blog do Noblat

Em 1798 a família de Friedrich mudou-se para Dresden, a capital da literatura romântica alemã. Lá Friedrich travou amizade com Phillip Otto Rünge e foi com ele percorrer os Alpes. Quando voltaram, Rünge o apresentou aos artistas românticos Johann Christian Dahl, Carl Gustav Carus, Novalis e Georg Friedrich Kersting.
Também conheceu Goethe, que lhe abriu as portas para uma exposição em Weimar, onde ganhou seu primeiro prêmio, em 1805. Dresden era o ambiente ideal para o talento e a sensibilidade de Friedrich.
Das cercanias dessa cidade, do vale do Elba, das cadeias de montanhas e da proximidade com as lindas e silenciosas praias do mar Báltico, Friedrich tirou muita inspiração para suas belas paisagens.
Dresden tinha ainda a vantagem de estar muito próxima de Berlim, o que favorecia um contacto com a intelectualidade alemã e com os grandes museus da capital.
Em 1818 casou-se com Caroline Bommer, jovem bem mais moça que ele e com quem teve três filhos. Não se pode dizer que o casamento tenha mudado sua personalidade, mas é certo que suas obras ganharam em leveza, perderam o ar sempre soturno e melancólico, e mais importante que tudo, a figura feminina encontra um papel importante.

 
Acima Os Penhascos de Rügen (1818), lembrança da viagem de lua de mel com Caroline: a paisagem linda e luminosa, alegre, mas um Friedrich embevecido com o que vê e distraido com o que ocorre à sua volta. Ele sempre nos surpreenderá...
Mas a paleta mais leve, brilhante, e a paisagem que antes era nua e agora passa a ser habitada, levaram a historiadora de arte Linda Siegel a registrar que o casamento e os filhos atenuaram a melancolia do artista “cujo pensamento passa a ser cada vez mais ocupado por sua família, sua mulher, seus amigos e até alguns habitantes de Dresden”.
Foi na mesma época que ele conheceu duas pessoas que viriam a ter grande importância em sua vida: o grão-duque Nikolai Pavlovitch, que se torna comprador assíduo de suas obras e o poeta Vasily Jukovski, tutor do futuro czar Alexandre II, que descobre no pintor alemão uma alma gêmea.
Durante décadas o poeta ajuda o pintor, comprando telas para si mesmo e recomendando seus quadros para a família imperial russa. Jukovski numa carta diz que o trabalho de Friedrich “desperta antigas lembranças em nossas mentes”.

Acima, No Veleiro (1818/20), com Caspar e Caroline retornando para a bela Dresden, cujo perfil se vê ao fundo. De novo, uma paisagem leve e colorida, cheia de vida.

“Os Penhascos de Rügen”, óleo sobre tela, 90.5 × 71 cm
Acervo Museum Oskar Reinhart, Winterthur, Suiça

"No Veleiro", óleo sobre tela, 71 × 56 cm
Acervo Museu Hermitage, São Petersburgo, Russia

terça-feira, 10 de abril de 2012

Friedrich: O Andarilho Sobre o Mar de Neblina (1817)

 por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -p/ blog do noblat

O pintor gótico romântico Caspar David Friedrich combinava influências da literatura, música e natureza germânicas com política e religião e as apresentava em alegorias como forças superiores. Seu trabalho sombrio, místico e fascinante, foi visto como chocante ruptura com o passado, margeando um confronto com o expressionismo; seu ideário permanece extraordinariamente relevante.
Os nobres prussianos e russos compravam muitas de suas telas, amavam aquele apelo forte, ávidos por uma idéia nova, uma espécie de fuga, uma possibilidade de aventura.
 
O Andarilho Sobre o Mar de Neblina (1817) é o quadro que talvez melhor represente a mensagem romântica e o talento de Friedrich. Sua paleta de cores frias e ácidas, com a qual obtém uma brilhante luminosidade, amplia a sensação de melancolia, de isolamento.
A tradução do título não ajuda muito: em alemão é Wanderer über dem Nebelmeer.  “Wanderer” tanto pode ser o caminhante perdido e procurando reencontrar seu caminho, como o andarilho resoluto. “Nebelmeer” quer dizer literalmente Mar Neblina, mas pode ser interpretado como um mar criado pela neblina.
Estudiosos da obra de Friedrich, e do Romantismo Alemão, acreditam que a mensagem transmitida por esse quadro é a auto-reflexão kantiana, que se expressa pelo homem em atitude contemplativa diante da opacidade de um mar de neblina.
Já outros crêem que a tela é uma metáfora sobre o desconhecimento do que o futuro nos trará. Uma terceira corrente afirma que o pintor quis mostrar que o homem, ao mesmo tempo que domina a paisagem, é minúsculo diante da força da natureza.
Da mesma forma que outra das telas célebres de Friedrich, O Mar de Gelo, (foto à esquerda) obra que foi conhecida por pelo menos outros três nomes, todos se referindo a uma cena idealizada pelo pintor.
Mas, curiosamente, na listagem de seus bens, aparece como “Quadro do Gelo. A malfadada expedição ao Polo-Norte”. Um barco naufragado no meio de pedaços de gelo partido que se amontoam sobre os destroços após o impacto. O gelo torna-se uma espécie de tumba monolítica. Parte da popa é visível à direita e uma inscrição parece confirmar que esse é o HMS Griper, um dos dois barcos que participaram das expedições de William Edward Parry ao Polo Norte, uma em 1819/20 e a outra em 1824.
De novo a pequenez do homem diante das forças da Natureza? E por que o pintor não quis revelar em vida o que pintava? Enfim, tudo em Friedrich pode não ser o que parece...

O Andarilho Sobre o Mar de Neblina, 1817, óleo sobre tela, 94 x 74,8cm
Acervo Kunsthalle, Hamburgo

O Mar de Gelo, 1824, óleo sobre tela, 96.7 x 126.9
Acervo Kunsthalle, Hamburgo


Kátia e Marielle Labèque interpretam Bolero de Ravel

segunda-feira, 9 de abril de 2012

"Cruz das Montanhas" Um expoente do romantismo alemão (1807/8) - C.D. Friedrich

 por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -p/ Blog do Noblat

 

O pintor alemão Caspar David Friedrich, nasceu em Greifswald, na Pomerânia Ocidental, hoje Alemanha (mas que na época pertencia à Suécia), em setembro de 1774 e faleceu em Dresden, em maio de 1840; foi um dos maiores expoentes da Escola Romântica na pintura e se tornou famoso por suas paisagens e marinhas eivadas de simbolismos e alegorias.

Estudou na Academia de Arte de Copenhagen e depois se estabeleceu em Dresden, a belíssima cidade situada às margens do rio Elba. Viajava muito por todo o norte da Alemanha e seus quadros são interpretações pessoais das árvores, colinas, do rio e suas praias rochosas, da névoa matinal que dava àquelas paragens um efeito muito especial, e que ele soube aproveitar e reproduzir com maestria.


Alguns de seus quadros mais famosos são expressões místicas, de uma religiosidade contemplativa. Em 1808, ele expôs uma das mais polêmicas de todas as suas obras e numa moldura muito significativa, feita por ele mesmo: A Cruz nas Montanhas (1807) (imagem acima), na qual um altar foi convertido em pura paisagem.
A cruz, vista obliquamente, é um pequeno elemento na composição. Mais importantes são os raios do sol poente, que o artista declarou ser o ocaso do velho mundo pré-cristão. A montanha simboliza a fé inabalável e os pinheiros, a alegoria do retorno da esperança.
Patriota ardente, Friedrich era devoto, introspectivo e muito melancólico. Sua mãe morreu quando ele estava com sete anos e seis anos mais tarde, seu irmão mais velho morreu ao salvá-lo: Caspar foi levado pela correnteza de um rio e se não fosse o irmão, certamente teria morrido. Muitos anos se passaram até que ele se perdoasse por esse fato do qual, na realidade, não tinha culpa alguma.
Profundamente germânicas, as imagens de Caspar David Friedrich são as mesmas de 'um Wagner sem a respiração adicional da música. Implicitamente musical, suas telas, no início de sua vida, têm a delicadeza dos acordes de Mozart, mas sempre prenhes do sentido da morte e da transfiguração, vão se tornando wagnerianas com os anos' (palavras de um curador do Museu de Belas Artes de Viena, Áustria).
Abaixo, Vista do Estúdio do Pintor (1805/06), obra que além de por em relêvo todo o talento do pintor, sobretudo na transposição para o papel da luminosidade suave de Dresden, nos ajuda a compreender os sentimentos de Friedrich.


“Vista do Estúdio do Pintor” é trabalho com tinta sépia e lápis.
Acervo Kunsthistorisches Museum, Vienna, Áustria

“A Cruz nas Montanhas” é óleo sobre tela, mede 115 x 110cm.
Acervo Gemäldegalerie, Dresden, Alemanha


Siga o Blog do Noblat no twitter
Ouça a Estação Jazz e Tal, a rádio do blog
Visite a página de vídeos políticos do Blog do Noblat

quinta-feira, 5 de abril de 2012

como outras cores podem afetar o ser humano, segundo o estudo da Alemanha

Pesquisa feita revela que exposição à cor verde leva a criação de soluções mais criativas e interessantes

BBC Brasil | 05/04/2012 18:33
Um estudo recente feito naAlemanha revelou que a exposição à cor verde pode estimular a criatividade. De acordo com a pesquisa publicada no Personality and Social Psychology Bulletin, cientistas da Universidade Ludwig-Maximilians, de Munique, fizeram testes com 69 homens e mulheres, perguntando-lhes quais seriam os usos que dariam para um tijolo.
As respostas foram codificadas com diferentes valores para medir o grau de criatividade. Soluções como "construir uma parede" receberam menos pontos. Já usos como "fazer o tijolo virar pó, misturar com água e usar como aquarela para pintar" foram classificados como mais criativos.
Antes de responderem à pergunta, os participantes eram expostos a desenhos de retângulos azuis, cinzas, vermelhos e brancos e outros verdes. Aqueles que viram as imagens verdes se saíram melhor no teste

Para a autora da pesquisa, Stephanie Lichtenfeld, "o verde pode servir como uma pista que evoca a motivação de um esforço para autossuperação e o domínio de tarefas, que por sua vez podem levar ao crescimento".
Em entrevista à BBC Brasil, a cientista deixou claro que a influência da cor é sutil e que os resultados ainda são iniciais, mas para aqueles que quiserem testar por si mesmos, informa que o tom de verde mais usado no estudo foi semelhante ao que é encontrado na natureza, como em pinheiros.
Quanto a pintar paredes de escritórios de verde, para estimular os funcionários, por exemplo, Lichtenfeld recomenda cautela. "O benefício depende muito das tarefas que as pessoas estão fazendo. Em alguns setores o vermelho pode ter um impacto interessante também, de estimular a interação entre a equipe. O verde poderia ser útil quando as atividades dependem muito da criatividade", disse à BBC Brasil.
Veja como outras cores podem afetar o ser humano, segundo o estudo:
Vermelho
Com potencial para causar efeitos negativos e positivos, o vermelho é uma cor que deve ser usada de forma estratégica. Estudos já revelaram que por suscitar um medo do fracasso, a cor não deve ser experimentada momentos antes de provas. No entanto, outra pesquisa indicou que times que usam uniformes vermelhos têm mais chance de vitória. Outro efeito tradicional é um aumento de atratividade das mulheres que vestem vermelho.
Amarelo
O amarelo é associado ao estímulo do bom humor e pode ajudar a aumentar a capacidade de concentração e foco, podendo ser usado em escritórios. Um estudo analisou convidados de três coquetéis em salas pintadas de amarelo, vermelho e azul, revelando que os que estavam no ambiente amarelo eram mais animados e falantes.
Azul
No mesmo estudo dos coquetéis, pesquisadores descobriram que aqueles que estavam na sala pintada de azul foram os que ficaram até mais tarde. O motivo? A cor deixaria as pessoas mais confortáveis e à vontade. A cor pode ser usada em quartos, pelo efeito calmante e relaxante, que pode até apaziguar a frequência cardíaca. Assim como o verde, também pode estimular a busca por soluções criativas.
Rosa
Embora seja associada com imagens de doçura, feminilidade e leveza, o rosa nada mais é do que um tom mais claro de vermelho, e por isso ainda é um forte estimulante. Para obter efeitos calmantes e relaxantes o ideal é o azul ou o verde.
Branco
Estudos passados identificaram associações desta cor com autoritarismo, esterilização, amplitude e pureza, dentre outros. Mas também há ligações com enjoos, náusea, fadiga e dores de cabeça. A cor deve ser evitada em escritórios, por exemplo, ou ao menos estar lado a lado com elementos coloridos para servirem de "descanso" ao olho humano.

Alimentos poderosos contra o câncer

Uma alimentação saudável e equilibrada é a chave para uma saúde de ferro. Os pesquisadores já descobriram que uma dieta correta consegue evitar doenças graves, como o câncer.
"A verdade é que nosso comportamento alimentar, de modo geral, é efetivamente responsável por grande parte dos casos de câncer desenvolvidos", alerta David Khayat, em seu mais recente livro "A verdadeira dieta anticâncer" (Ed. Lua de Papel).
Para estar protegido, o ideal é comer um pouco de cada grupo alimentar, sem restringir nenhum deles. Equilibrar esses grupos e comer com moderação é o segredo para reduzir as chances de desenvolver a doença.
Siga o iG Saúde no Twitter
Na lista de alimentos com ótimas propriedades anticancerígenas estão frutas como a maçã, a melancia, a romã e o kiwi, legumes como o pimentão, temperos e ervas como a salsa, pimenta e a menta, e outros alimentos como o tofu, a semente de girassol e a quinoa.
Veja aqui todos os alimentos poderosos


Foto: Getty Images
Romã: rica em poderosos antioxidantes, é um anticancerígeno natural

terça-feira, 3 de abril de 2012

MÁRCIA TIBURI - A forma mais comum do medo é o medo do medo.

Até mesmo os animais sentem medo. Seres humanos que também são animais, do mesmo modo, sentem medo. Na vida humana o medo é mais que uma sensação corporal. Ele é também um sentimento e, como tal, tem sua carga de enigma. Por isso é tão difícil analisá-lo.

Nenhum sentimento consegue se explicar muito bem, mas sabemos que o medo tem certa validade objetiva. Quando alguém sente medo é porque há, ou pode haver, alguma ameaça. Sentir medo, portanto, é não só aceitável, mas algo razoável. E se ele tem sentido, não é errado pensar que ele seja até desejável. Em certa medida, o medo pode até proteger. Porém, ao ultrapassar sua medida aceitável, ou seja, aquela que não causa sofrimento, o medo pode transformar-se em medo do medo, eis o que significa o pânico. O pânico é o medo desmedido que ataca a capacidade de viver e conviver. É uma espécie de medo da vida e de tudo o que ela implica. Alguém em pânico está doente de medo como alguém apaixonado pode estar doente de amor. O problema, em qualquer dos casos não é o sentimento em si, pois não é possível viver a vida humana sem sentimentos. O problema é sempre a sua desmedida.

Que o medo seja um sentimento significa que ele está pleno de uma carga simbólica. Ou seja, que o medo sentido nunca está livre dos seus significados, do modo como nos relacionamos com ele. Não existe um grau zero do medo. O medo não é só uma sensação. Isto quer dizer que nunca experimentamos o medo diretamente, mas sempre por meio do que se diz dele.


O medo e a política
Poucas vezes os filósofos se ocuparam do medo. Thomas Hobbes, filósofo do século XVII que tornou famosa a frase de Plauto “o lobo é o lobo do homem” foi um dos poucos a pensar o medo como um sentimento manipulável que estaria na base da fundação do estado social. A frase explica que o homem, em vez de ser solidário e parceiro de seu semelhante, seria, na verdade, seu maior inimigo. Em função disso, a autoridade política teria a função específica de proteger os homens uns dos outros. Sem medo não haveria governabilidade, mas o governo deveria justamente tornar a vida das pessoas livre do medo. Cidadãos seriam aqueles que não viveriam mais do medo, mas em função de leis. O medo de ser morto pelo outro, ou de ser por ele dominado e escravizado, faria com que cada indivíduo entregasse ao governante a sua própria liberdade e até mesmo o direito que tem sobre suas próprias coisas. Em troca, o governante agiria como bem entendesse na realização do seu objetivo.

A teoria de Hobbes explica assim a função do governo e, por outro lado, a obediência dos homens às leis que viriam regular as relações humanas sempre perturbadas pelo medo que os homens têm dos próprios homens. A forma de vida na qual o medo seria absoluto foi chamado por Hobbes de “estado de natureza”. Nesta condição estaria em vigência a “guerra de todos contra todos”. Seria um tempo sem lei, de ameaça e angústia geral. O “estado de natureza” pode assustar, mas é bom lembrar que ele é hipotético. Nunca ninguém poderia localizá-lo na história. O que significa que, até hoje, o estado de natureza serve para que seres humanos pensem no que fazem com a política. Se não valeria a pena viver uma vida e trabalhar por uma sociedade na qual o medo não ocupasse a cena geral.

Deixar o medo em paz
Se bastasse falar do medo para superá-lo, já estaríamos livres deste sentimento há muito tempo. É impossível viver sem ele. Podemos dizer que o medo faz parte daquelas razões do coração desconhecidas da razão que rege os pensamentos. Sentimos medo, mas em uma sociedade que perde o sentido dos sentimentos diariamente, o medo se torna mais um destes nomes para uma diversidade de sensações inespecíficas. Como sentimento ele é intangível e, em certo sentido, até intraduzível. Melhor guardar o medo para falar de coisas sérias do que inflacionar seu sentido e produzir histerias desnecessárias.

Se é difícil compreendê-lo, será muito difícil superá-lo, deixar de ser sua vítima ou fazer dele um uso benéfico. Nossa cultura, por exemplo, trata o medo como um defeito, como algo negativo. Neste caso, ela deveria valorizar a coragem como seu oposto. Mas não é bem assim. Se esquecemos, no entanto, que a coragem precisa do medo para existir, podemos, ao assumir o medo como uma coisa absoluta, tornarmo-nos covardes, ou, negando absolutamente o medo, tornarmo-nos temerários. Nem uma coisa nem outra ajuda a ultrapassar o medo. Pode-se, assim, até renová-lo. Por isso, se o medo, em certa medida é até bom, mas é ruim quando desmedido, do mesmo modo, superá-lo vale apenas em certa dose.

Podemos odiar o medo, querer extirpá-lo de nossas vida, mas nem sempre o fazemos pela via mais simples, porque é muito difícil combater um sentimento. Melhor, quando se trata de sentimentos, aprender a conviver com eles. Um sentimento cresce na exata proporção em que o negamos. Torna-se mais leve quando o aceitamos. É a única chance de que nos de que nos deixem em paz.


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Paulo Coelho nunca foi amigo de meu pai, diz filha de Raul Seixas



AMON BORGES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA 02/10/2012
Ale Manzano/Divulgação
Filha caçula do cantor Raul Seixas, Vivi Seixas (foto) segue os passos do pai na música, mas atua como DJ de house music
Filha caçula do cantor Raul Seixas, Vivi Seixas (foto) segue os passos do pai na música, mas atua como DJ de house music
Vivi Seixas tinha oito anos quando seu pai, Raul Seixas, morreu vítima do consumo excessivo de álcool em agosto de 1989.
"Tenho lembranças lindas dele me ensinando sobre Elvis Presley e tocando para eu cantar", conta em entrevista ao "Guia".
Sobre Paulo Coelho, a filha caçula do "maluco beleza" diz que, "diferentemente do que as pessoas pensam, ele nunca foi amigo do meu pai, e, sim, parceiro musical" (leia abaixo a entrevista).

Prestes a completar 31 anos, Vivi é uma das mais de 50 personagens que deram seus depoimentos para compor o documentário "Raul, O Início, O Fim e o Meio", dirigido por Walter Carvalho.
"O filme é bom, porém, assim como meu pai, tem defeitos. A decadência e a morte dele ganharam um tom pesado e que resvala no 'pieguismo'", diz a atual DJ, que segue os passos do pai na música, influenciada pela forma com que ele mesclava vários estilos.
"Gosto de misturar as vertentes da house music, sem ficar presa em uma só. Preparei um set com algumas músicas como 'Mosca na Sopa', 'Carimbador Maluco' e 'Rock das Aranhas'. Todas com uma pegada mais moderna".
Além de Vivi e das outras duas filhas de Raul, amigos e parceiros --como Caetano Veloso, Marcelo Nova, Tom Zé e Paulo Coelho-- e quatro grandes companheiras também participam do filme, com declarações que ajudam a apresentar uma imagem da lenda do rock nacional.
Informe-se sobre o filme
ABAIXO, LEIA O BATE-PAPO COM VIVI SEIXAS:

Divulgação
Lenda do rock nacional Raul Seixas e sua filha caçula Vivi Seixas, que adorava a barba do pai quando criança
Lenda do rock Raul Seixas e sua filha caçula Vivi Seixas (foto), que adorava a barba do pai quando criança
Guia Folha - Qual sua avaliação sobre o documentário?
Vivi Seixas - O filme é bom, porém, assim como meu pai, tem defeitos. Com mais de duas horas de duração, o documentário ficou excessivamente longo. A decadência e morte dele ganharam um tom pesado e que resvala no "pieguismo" --o diretor leva a empregada Dalva a revisitar o apartamento onde ele faleceu. Na verdade, ele priorizou diversas cenas com esse caráter mais subjetivo, como a dança de Elvis Presley feita por um amigo de infância de Raul ou quando vemos, por exemplo, o ator Daniel de Oliveira revelando que seu filho se chama Raul, ou até quando o jornalista Pedro Bial canta uma das músicas do ídolo.
Abordou fielmente a vida do seu pai?
A obra de Raul é maior do que caberia em apenas um filme. Há mais a ser falado, mostrado... Principalmente, em relação à criação musical.
Qual a parte que mais te emociona ou te marca no filme?
A parte final me fez lembrar quando eu estive em São Paulo no apartamento da rua Frei Caneca, três meses antes da morte dele. Fomos juntos a uma padaria pela manhã, juntos, e chorei quando ele pediu um chope. Mesmo sem saber exatamente da sua doença, eu pressenti que alguma coisa estava muito errada.
Ainda tem contato com amigos e parceiros de seu pai, como Paulo Coelho?
Paulo Coelho, diferentemente do que as pessoas pensam, nunca foi amigo do meu pai, e, sim, parceiro musical. Como o próprio Paulo já declarou, eram "inimigos íntimos". Mantenho contato, sim, com os amigos Rick Ferreira, Claudio Roberto, Sylvio Passos e Marcelo Nova.
Qual a música de seu pai que você mais gosta?
"Ângela" e "Lua Cheia": duas músicas que ele compôs pra Kika, minha mãe. Ela foi realmente a grande paixão do meu pai e a única que trabalhou sua obra durante todos esses anos. Pena que ela não suportou as crises de alcoolismo dele. Eu tinha 5 anos, e ele ficava constantemente internado.
O Raul tem essa fama de doido, maluco beleza. Mas como ele era em casa? Como era seu relacionamento com ele?
Diferente da fama era uma pessoa extremamente educada, caseira e amorosa. Tenho lembranças lindas dele me ensinando sobre Elvis Presley e tocando para eu cantar.
Quando ele morreu você era pequena. Como foi assimilar a perda?
Como para qualquer criança, foi difícil para mim, mas o que me ajudou muito --e ajuda até hoje-- é ter a voz dele para eu escutar quando quiser. Isso ameniza muito a saudade.
Em relação à sua profissão: como começou? Vai tocar em alguma casa em SP? Quais os planos?
Depois de muitos anos me questionando, em 2004, resolvi assumir o meu lado musical, completamente diferente do meu pai. A house music é a minha forma de expressão. Mas nenhuma festa marcada em São Paulo. Mas adoraria tocar no D- Edge [clube da zona oeste de São Paulo].
A música de seu pai influencia no seu trabalho de DJ?
Como homenagem a Raul, preparei um set com algumas músicas como "Mosca na Sopa", "Carimbador Maluco" e "Rock das Aranhas". Todas com uma pegada mais moderna. O que me influencia é a forma que meu pai tinha de misturar vários estilos. Do baião ao tango, do rap ao forró. Gosto de misturar as vertentes da house music, sem ficar presa em uma só.
Ouça o trabalho de Vivi Seixas e as versões "metamorfoseadas" no MySpace.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Objetos de Arte: Máscara Funerária (Séculos IX ao XI)

Arte Ameríndia)

Objetos de Arte: Máscara Funerária (Séculos IX ao XI)

A cultura Lambaieque, também chamada Sicán, cobre um período extremamente rico no Vale La Leche, costa norte do Peru, que vai de 700 a 1300 d.C. Surgiu depois da cultura Moche e do esplendor do império Chimú. É uma civilização pré-incaica.
Os historiadores dividiram esse período em três partes: primitivo de 759 a 900 d. C; médio de 900 a 1100 d.C. e o final, que foi até 1300 d.C.
As ruínas do período mais antigo mostram que os Sicán negociavam com povos do Equador (conchas e caramujos), da Colômbia (esmeraldas e âmbar), do Chile (pedra azul) e extraiam ouro da bacia do rio Marañon, a leste.
Por volta de 800 d.C. eles fundaram a cidade de Puma, localizada em Batan Grande, no Vale La Leche. Foi dos raros sítios Sicán descobertos.
Os artesãos Sicán eram muito habilidosos. A cerâmica negra e muito polida tanto servia para atender às necessidades básicas, como para motivos políticos e religiosos. Vasilhames especiais para guardar mantimentos, panelas e potes para cozinhar alimentos, ornamento para as casas, os pátios e as imagens para os templos.
Os fornos para argila eram os mesmos usados para outra especialidade Sicán: a metalurgia. Na verdade, as peças em metal são dos maiores legados desse povo. As tumbas mostram a divisão de classes: algumas cheias de objetos em metal comum, outras só com peças em cerâmica e outras tantas com muito ouro e cerâmica.
Os Lambaieque se tornaram uma poderosa dinastia entre os séculos IX e XI e acumularam enormes quantidades de ouro. Construtores dos grandes complexos funerários de Batan Grande, em Puma, os senhores de Sicán eram colecionadores compulsivos de objetos em ouro, nos quais faziam questão que gravar a efígie do lendário fundador da dinastia. Eram enterrados com seus pertences em ouro.
As mascaras mortuárias variavam em espessura e nos desenhos. A que mostramos hoje é pintada e ainda se pode ver restos de tinta amarela, azul, preta e laranja. Usavam também penas para dar mais colorido aos mortos.
Os olhos das diversas máscaras são muito diferentes o que sugere que havia uma tentativa de fazer com que se assemelhassem ao morto: nessa os espetos sugerem talvez um olhar penetrante... Os pendentes laterais também variavam muito em forma e cor, o que devia ter algum significado.
Ouro e cinabre, mede 29,2cm.

Acervo Metropolitan Museum of Art, NY

Siga o Blog do Noblat

sexta-feira, 23 de março de 2012

Noite Estrelada - Vincent Van Gogh


Olhe que bela comparação: A primeira foto da obra "Note Estrelada" de Vincent Van Gogh; 
A segunda, uma concepção fotográfica, mostrando além do cenário o Vincent, com 
seu cavelete, tela e banquinho e vela.(descoberta na net por minha esposa Rita)

                                          


quarta-feira, 21 de março de 2012

Cientistas descobrem pintura de Van Gogh escondida em outra obra




Um estudo realizado em conjunto por cientistas e especialistas em arte resultou na autenticidade de um quadro de Van Gogh e na descoberta de uma outra obra nessa mesma tela.

A pintura "Natureza-Morta com Flores Campestres e Rosas", de 1886, foi autentificada com a ajuda de uma nova técnica radiográfica, informou nesta terça-feira o museu holandês Kröller-Müller, que comprou a obra em 1974 e possui uma das maiores coleções de Van Gogh.

O uso de raios-x de alta intensidade confirmou que os pigmentos da tela se encaixam na paleta de Van Gogh, e ainda revelou uma camada de tinta embaixo da superfície com o desenho de dois lutadores.

De acordo com o jornal "The Independent", essa outra pintura é mencionada em uma carta do pintor, mas ela nunca havia sido encontrada. A obra agora será exposta ao lado das demais telas de Van Gogh no museu.

"Graças ao estudo, pudemos constatar que os lutadores não estão completamente nus, mas usam uma espécie de pantalona característica da academia da Antuérpia, frequentada por Van Gogh [de 1885 a 1886]", explica à France Presse Sylvia Gentenaar, porta-voz do Kröller-Müller.

"Essa série de detalhes também confirma a nossa tese [de ser um Van Gogh legítimo]", acrescentou a porta-voz, explicando que o quadro tinha sido atribuído a um autor "anônimo", apesar de ter sido considerado por muitos anos como "um possível Van Gogh".

"Pela primeira vez conseguimos obter imagens que revelam como Van Gogh começou a pintar os lutadores com pinceladas longas," explica o professor Janssens, da universidade de Antuérpia, ao "Independent".

A pesquisa foi realizada pelas universidades de Delft e Antuérpia, pelos museus Van Gogh e Kröller-Müller e pelo centro Desy de pesquisa em física de partículas.

Vincent Van Gogh nasceu na Holanda em 30 de março de 1853. Instalou-se em Paris em 1886, onde recebeu a influência dos impressionistas. Morreu em Auvers-sur-Oise (França) no dia 29 de julho de 1890.
    Associated Press    
Raio-x do quadro "Natureza-Morta do Campo com Flores e Rosas", de Van Gogh, revelou também outro quadro do pintor abaixo da superfície
Raio-x do quadro "Natureza-Morta do Campo com Flores e Rosas", de Van Gogh, revelou também outro quadro do pintor abaixo da superfície

Folha ilustrada - Folha de São Paulo - 21.02.2012