Pintura: Curva Dominante (1936)Óleo sobre tela, 129,3 x 194,3 cm
Acervo Museu Guggenheim, Nova York
O artista diante de Curva Dominante, em sua casa em Paris - foto de 1939
Quando Kandinsky foi obrigado a deixar a Alemanha, em 1933, devido a pressões políticas, o ambiente na França era depressivo e de desolação, pois a iminência da guerra era palpável. O que só piorou durante os anos terríveis da II Guerra Mundial. Mas a arte unia amigos antigos e novos que fez por lá.
Durante seus primeiros anos na França, ele experimentou com pigmentos misturados com areia, uma inovação técnica utilizada por muitos artistas parisienses durante os anos 30, inclusive por Georges Braque. Sempre atento às inovações artísticas e estilísticas de seus contemporâneos, Kandinsky nunca deixou de acrescentar sua marca pessoal em qualquer aspecto que tomasse emprestado de seus colegas.
Como foi observado pela historiadora de arte Vivian Barnett, Kandinsky utilizava os motivos biomórficos dos surrealistas, e também de Paul Klee, mas nota-se sua fascinação pelas ciências orgânicas, especialmente embriologia, zoologia e botânica.
Durante sua longa temporada em Bauhaus, ele criou muitas ilustrações com organismos microscópicos e colecionou vasta biblioteca sobre essas criaturas minúsculas, que depois aparecem de forma abstrata em muitas de suas telas.
Em suas últimas obras a paleta de cores é mais suave, a rigidez da geometria apreendida em Bauhaus é suavizada, tem muito das formas usadas pelos surrealistas com quem trava amizade em Paris, tais como Jean Arp e Joan Mirò. Nota-se também a influência das composições extravagantes e fantasiosas de seu velho amigo Klee, em telas cheias de alegria, lúdicas.
Kandinsky nunca abriu mão da emoção em suas obras. Razão e emoção, eis o que ele quis nos provar ser possível coexistir. Faleceu em 1944, em Neuilly-sur-Seine, aos 78 anos.
A imagem de hoje mostra um dos quadros mais importantes do pintor russo: “Curva Dominante”. No alto à direita, flutua um embrião esquematizado, cor-de-rosa, e dentro de um pequeno retângulo escuro no canto esquerdo, microscópicas figuras que se assemelham a animais marinhos. Essas imagens leves, flutuantes, quase sempre apresentadas em cor pastel, podem ser lidas como a visão otimista de Kandinsky, de um futuro pacífico, e o desejo que o pós-guerra trouxesse o renascimento e a regeneração do Homem
Óleo sobre tela, 129,3 x 194,3 cm
Acervo Museu Guggenheim, Nova York
Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa para o Bog do Noblat
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Pintura Alguns Circulos(1926) Kandinsky
Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -
Impossível falar em Kandinsky sem falar na extraordinária experiência que foi a Bauhaus (Staatliches- Bauhaus, “casa estatal de construção”), escola de design, artes plásticas e arquitetura, que funcionou na Alemanha entre 1919 e 1933. A Bauhaus foi uma das maiores e mais importantes expressões do que é chamado Modernismo, sendo uma das primeiras escolas de design no mundo.
Walter Gropius, o grande nome da arquitetura alemã do século XX, fundador da Bauhaus, convidou Kandinsky para lecionar ali, na cadeira “Pintura Mural”. O pintor, ao mesmo tempo que lecionava, desenvolvia pesquisas sobre materiais e diferentes meios de amalgamá-los. E cuidava de expor seus trabalhos. Fez sete exposições enquanto em Weimar, cidade sede da Bauhaus, muitas conferências, e publicou ensaios sobre temas relacionados à pintura.
Mas nem tudo foi tranquilo nessa fase. Em 1924, ele se afasta da escola e funda, com Klee, Feininger e Jawlensky, o grupo “Die Blaue Vier” (Os quatro azuis).
Em 1925, quando a Bauhaus é transferida para Dessau, tem início sua segunda fase na escola, que seria muito rica. A sede da escola é magnífica, inclusive com moradia para os mestres. Kandinsky e Paul Klee, e suas famílias, eram vizinhos. Pediram, e Gropius concordou, que fosse introduzido no currículo um Curso de Pintura Livre, onde ambos puderam continuar suas investigações sobre pintura.
É preciso ressaltar que a sólida amizade, a dedicação ao ofício e o fato de um admirar sinceramente a arte do outro, não fez com que seguissem os mesmos caminhos. Criaram mundos inteiramente distintos.
Em 1926, o primeiro número da revista “Bauhaus” é dedicado a Kandinsky, por ocasião de seu 60º aniversário.
Gropius é demitido por picuinhas políticas, a Bauhaus passa a ser dirigida por Hannes Meyer, e de 1928 a 1931, conhece uma fase de intensa politização dos estudantes. Meyer tinha aversão ao esteticismo, o que dividiu alunos e mestres. Kandinsky e Klee viram–se expostos a ataques violentos. Meyer foi demitido e Ludwig Mies Van der Rohe, outro grande arquiteto, a pedido de Gropius, aceita dirigir a Bauhaus, que transforma numa escola exclusivamente dedicada à arquitetura.
Klee vai ensinar na Academia de Belas Artes de Düsseldorf, enquanto Kandinsky aos poucos larga a atividade de docente. Em 1932, a Bauhaus foi transferida para Berlim; por conta de uma forte campanha de difamação feita pelos nazistas, a escola é fechada após encontrarem material comunista em suas instalações. O mundo, mais uma vez, saiu perdendo por causa de fanáticos...
“Alguns Círculos” é a tela cuja imagem ilustra hoje este post. “O círculo”, segundo Kandinsky, “é a síntese das grandes oposições. Combina o concêntrico e o excêntrico em equilíbrio e numa única forma. Das três formas primárias, é a que aponta mais claramente para a quarta dimensão”.
Óleo sobre tela, 140,3 x 140,7cm
Acervo Museu Guggenheim, Nova York
do Blog do Noblat - www.noblat.com.br
Pintura: No Quadrado Negro (1923) Kandinsky
Ao voltar para a sua Rússia natal, por ocasião da I Guerra Mundial, Kandinsky conhece o trabalho dos artistas da avant-garde russa, todos imersos no entusiasmo e na utopia que os estimulava naqueles anos.
A ênfase nas formas geométricas estimulada por artistas como Kasimir Malevitch, Aleksander Rodchenko e Liubov Popova, num esforço conjunto para estabelecer uma linguagem estética universal, inspira Kandinsky a expandir sua linguagem artística, embora sem abandonar seu estilo expressivo.
Ele adotou alguns dos aspectos definidos por seus colegas, sobretudo os geométricos, tais como a sobreposição de superfícies planas e formas nitidamente delineadas, mas sua convicção que as formas, embora abstratas, deveriam ter um conteúdo expressivo, o alienava dos artistas russos que adotavam princípios mais racionais.
Kandinsky não concordava com o amor à forma pela forma: para ele era necessário que as formas tivessem expressão.
Ele passou a se sentir desconfortável no ambiente artístico de Moscou e em 1921 resolveu retornar para a Alemanha. Dois anos depois, seu quadro “No Quadrado Negro” (imagem acima) faz uma síntese das propostas da avant-garde russa e de sua abstração lírica: o trapezóide branco recorda o estilo Suprematista de Malevitch, mas os elementos dinâmicos da composição, nuvens, montanhas, sol e arco-íris, nos remetem a uma paisagem.
Em 1922, Kandinsky passa a fazer parte do quadro da Bauhaus, em Weimar, onde descobre um ambiente mais simpático ao estilo e espírito que queria definir. Originalmente voltada para o expressionismo alemão, a estética da Bauhaus (selo à esquerda) passou a refletir as preocupações e o estilo do Construtivismo que, em meados da década de 20, passa a ter extensão internacional. Enquanto esteve lá, Kandinsky ampliou suas pesquisas sobre cor e formas e seus efeitos psicológicos e espirituais sobre o espectador (texto de Nancy Spector, Fundação S. Guggenheim).
Óleo sobre tela, 97,5 x 93cm
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Pintura: Impressão III (Concerto) 1911 - Kandinsky
Kandinsky, que também tinha talento musical, uma vez disse que o teclado é a Cor, os olhos são a Harmonia, o piano com suas muitas cordas, a Alma. O artista é a mão que domina o instrumento, ora tocando uma nota, ora outra, para provocar vibrações na alma. Esse conceito que une a cor à harmonia musical tem longa história, já intrigara cientistas como Sir Isaac Newton.
Kandinsky especulava com a cor, e criou uma teoria associando a nota com o timbre, a tonalidade com o alcance do som, e a saturação com o volume do som. Chegou a dizer que quando via Cor ouvia Música.Em janeiro de 1911 assistiu a um concerto de Arthur Schoenberg em Munique e ficou profundamente impressionado pelos sons revolucionários que ouviu. E respondeu à emoção que sentiu criando a tela onde capturou a execução da música do grande compositor austríaco, Impressão III (Concerto) [imagem principal].
Percebendo a afinidade entre sua pintura e a música de Schoenberg, Kandinsky escreveu para o compositor o que deu início a um extraordinário intercâmbio entre esses dois visionários que conseguiram unir música e pintura.
Por sua natureza a música é abstrata – não tenta representar o mundo exterior mas sim expressar de forma imediata os sentimentos íntimos da alma humana. Não admira que sua influência tenha sido muito importante no nascimento da Arte Abstrata.
Kandinsky muitas vezes usou termos musicais para designar seus trabalhos: chamou algumas de suas obras mais espontâneas de "Improvisações", e as mais elaboradas de "Composições".
Além de pintar, Kandinsky fez-se ouvir como teórico da arte. Na verdade, sua influência na História da Arte Ocidental talvez derive mais de suas obras teóricas do que de suas pinturas. Ele colaborou na fundação da Associação de Novos Artistas e foi seu presidente, em 1909. O grupo não conseguiu integrar a abordagem dos mais radicais, como ele, aos grupos mais convencionais e acabou por se desfazer, em 1911.
Kandinsky se une a outros que pensam como ele: criam o grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) e organizam duas exposições. Os planos eram muitos mas a irrupção da Primeira Guerra Mundial, em 1914, encerrou suas atividades e Kandinsky teve que voltar às pressas para sua terra natal, via Suíça e Suécia.
Mas as ideias do pintor em “O Almanaque do Cavaleiro Azul” e em “Do Espiritual na Arte”, lançados quase que ao mesmo tempo, serviram para defender e promover a Arte Abstrata, numa análise que conclui que todas as formas de arte são igualmente capazes de atingir um alto nível espiritual.
Kandinsky especulava com a cor, e criou uma teoria associando a nota com o timbre, a tonalidade com o alcance do som, e a saturação com o volume do som. Chegou a dizer que quando via Cor ouvia Música.Em janeiro de 1911 assistiu a um concerto de Arthur Schoenberg em Munique e ficou profundamente impressionado pelos sons revolucionários que ouviu. E respondeu à emoção que sentiu criando a tela onde capturou a execução da música do grande compositor austríaco, Impressão III (Concerto) [imagem principal].
Percebendo a afinidade entre sua pintura e a música de Schoenberg, Kandinsky escreveu para o compositor o que deu início a um extraordinário intercâmbio entre esses dois visionários que conseguiram unir música e pintura.
Por sua natureza a música é abstrata – não tenta representar o mundo exterior mas sim expressar de forma imediata os sentimentos íntimos da alma humana. Não admira que sua influência tenha sido muito importante no nascimento da Arte Abstrata.
Kandinsky muitas vezes usou termos musicais para designar seus trabalhos: chamou algumas de suas obras mais espontâneas de "Improvisações", e as mais elaboradas de "Composições".
Além de pintar, Kandinsky fez-se ouvir como teórico da arte. Na verdade, sua influência na História da Arte Ocidental talvez derive mais de suas obras teóricas do que de suas pinturas. Ele colaborou na fundação da Associação de Novos Artistas e foi seu presidente, em 1909. O grupo não conseguiu integrar a abordagem dos mais radicais, como ele, aos grupos mais convencionais e acabou por se desfazer, em 1911.
Kandinsky se une a outros que pensam como ele: criam o grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) e organizam duas exposições. Os planos eram muitos mas a irrupção da Primeira Guerra Mundial, em 1914, encerrou suas atividades e Kandinsky teve que voltar às pressas para sua terra natal, via Suíça e Suécia.
Mas as ideias do pintor em “O Almanaque do Cavaleiro Azul” e em “Do Espiritual na Arte”, lançados quase que ao mesmo tempo, serviram para defender e promover a Arte Abstrata, numa análise que conclui que todas as formas de arte são igualmente capazes de atingir um alto nível espiritual.
óleo sobre tela , 77.5 x 100 cm.
Acervo Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique, Alemanha
Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa - para o Blog do Noblat
segunda-feira, 21 de março de 2011
Principio da necessidade interior - Kandinsky
Amarelo, Vermelho e Azul de Wassily Kandinsky
Wassily Kandinsky - Yellow, Red and Blue
A cor é um meio para se exercer influência
direta sobre a alma. A cor é a tecla, o olho
é o martelo. A alma é o plano de inúmeras
cordas. Quanto ao artista, é a mão que,
com a ajuda desta ou daquela tecla,
obtém da alma a vibração certa.
(KANDINSKY, 1910)
As diversas formas que compõe esta foto estimulam a imaginação, trazendo imagens de pessoas, objetos, e dimensões. O ponto focal da composição parece ser o formato do rosto, como no lado esquerdo da tela, mas as batalhas para a atenção com os tons de azul escuro que fazem fronteira com o lado direito.
A necessidade interior de Kandinsky é o princípio da arte e da Fundação de formas e harmonia de cores ". Ele define como o princípio do contato eficaz da forma com a alma humana. Cada forma é a delimitação de uma superfície por outra, que possui um conteúdo interno que é o efeito que ela produz em quem olha para ele com atenção. Essa necessidade interior é o direito do artista de uma liberdade ilimitada, mas esta liberdade se torna um crime se não for fundada sobre tal necessidade. A obra de arte nasce da necessidade interior do artista de uma forma misteriosa, enigmática e mística, e, em seguida, ela adquire uma vida autônoma, torna-se um sujeito independente animadas por um sopro espiritual.
As primeiras propriedades óbvias que podemos ver quando olhamos para cor isoladamente é deixá-la agir por si só, é de um lado o calor ou a frieza do tom de cor, e do outro lado a clareza ou a obscuridade do tom.
O calor é a tendência para o amarelo, o frio a tendência para o azul. O amarelo e o azul forma o primeiro contraste grande, que é dinâmico. O amarelo possui um movimento excêntrico e movimento de um azul concêntricas, uma superfície amarela parece se aproximar de nós, enquanto uma superfície azul parece afastar-se. O amarelo é a cor tipicamente terrestre cuja violência podem ser dolorosos e agressivos. O azul é a cor tipicamente celeste que evoca uma profunda calma. A mistura de azul com amarelo dá a imobilidade total e calma, o verde.
Clareza é uma tendência para o branco e obscuridade uma tendência para o preto. O branco e o preto formam o segundo grande contraste, que é estático. Os atos branco como um silêncio profundo e absoluto cheia de possibilidades. O preto é um nada, sem possibilidade, é um silêncio eterno, sem esperança, que corresponde à morte. É por isso que qualquer outra cor ressoa tão forte sobre os seus vizinhos. A mistura de branco com negro leva a cinza, que não possui força ativa e cuja tonalidade afetiva que está perto do verde. O cinza corresponde à imobilidade sem esperança, que tende ao desespero, quando torna-se escuro e recupera pouco de esperança quando se ilumina.
O vermelho é uma cor calor, muito viva, alegre e agitado, possui uma força imensa, é um movimento em si mesmo. Misturadas com o preto, ele leva a castanha que é uma cor difícil. Misturado com amarelo, ele ganha em calor e dá a cor laranja que possui um movimento de irradiação sobre o ambiente. Misturado com azul, ele se afasta do homem para dar o roxo, que é resfriado vermelho. O vermelho e o verde formam o contraste 3 grandes, o laranja e o púrpura do quadro.
Wassily Kandinsky pintou esta composição durante os anos que passou na Escola Bauhaus de Arte e Arquitetura, onde ele estava ensinando, eles se tornariam os anos mais produtivos de sua carreira. Esta intenção do artista através de todas as suas pinturas foi o de criar a mesma viagem emocional, que de uma música poderosa..
Aqui está a declaração Kandinsky sobre a arte abstrata: "De todas as artes, a pintura abstrata é o mais difícil. Exige que você sabe como desenhar bem, que você tem uma sensibilidade aguçada para composição e cores, e que você seja um verdadeiro poeta. Esta última é essencial. "
Magdalena Dabrowski (Kandinsky: Composições) comentou sobre o estilo criativo do artista: "A música pode responder e apelar diretamente para o elemento do artista" interno "e expressar os valores espirituais, portanto, para Kandinsky é uma arte mais avançada. Em seus escritos Kandinsky enfatiza essa superioridade em avançar em direção ao que ele chama de a época do espiritual. "
O trabalho de Kandinsky foi marcado por duas guerras mundiais e pela revolução russa, é repleto de inovações estéticas
O Abstracionismo ( surgido no início séc.XX) é a arte que se opõe à arte figurativa ou objetiva. Tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro, entre as linhas e os planos, as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível, ela passa a ser abstrata.
"Amarelo, Vermelho, Azul" de Wassily Kandinsky está localizado no Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, França.
Veja mais obras de Kandinsky:
http://tania-arteimitavida.blogspot.com/2008/09/arte-de-wassily-kandinsky.html
http://www.fototela.com.br/ml/Wassili_Kandinsky
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