quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pintura: No Quadrado Negro (1923) Kandinsky



Ao voltar para a sua Rússia natal, por ocasião da I Guerra Mundial, Kandinsky conhece o trabalho dos artistas da avant-garde russa, todos imersos no entusiasmo e na utopia que os estimulava naqueles anos.

A ênfase nas formas geométricas estimulada por artistas como Kasimir Malevitch, Aleksander Rodchenko e Liubov Popova, num esforço conjunto para estabelecer uma linguagem estética universal, inspira Kandinsky a expandir sua linguagem artística, embora sem abandonar seu estilo expressivo.

Ele adotou alguns dos aspectos definidos por seus colegas, sobretudo os geométricos, tais como a sobreposição de superfícies planas e formas nitidamente delineadas, mas sua convicção que as formas, embora abstratas, deveriam ter um conteúdo expressivo, o alienava dos artistas russos que adotavam princípios mais racionais.

Kandinsky não concordava com o amor à forma pela forma: para ele era necessário que as formas tivessem expressão.

Ele passou a se sentir desconfortável no ambiente artístico de Moscou e em 1921 resolveu retornar para a Alemanha. Dois anos depois, seu quadro “No Quadrado Negro” (imagem acima) faz uma síntese das propostas da avant-garde russa e de sua abstração lírica: o trapezóide branco recorda o estilo Suprematista de Malevitch, mas os elementos dinâmicos da composição, nuvens, montanhas, sol e arco-íris, nos remetem a uma paisagem.

Em 1922, Kandinsky passa a fazer parte do quadro da Bauhaus, em Weimar, onde descobre um ambiente mais simpático ao estilo e espírito que queria definir. Originalmente voltada para o expressionismo alemão, a estética da Bauhaus (selo à esquerda) passou a refletir as preocupações e o estilo do Construtivismo que, em meados da década de 20, passa a ter extensão internacional. Enquanto esteve lá, Kandinsky ampliou suas pesquisas sobre cor e formas e seus efeitos psicológicos e espirituais sobre o espectador (texto de Nancy Spector, Fundação S. Guggenheim).

Óleo sobre tela, 97,5 x 93cm

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