sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O Estúdio (1939): Georges Braque


O Estúdio (1939): Georges Braque

“Aqueles que vão à frente estão de costas para os seguidores”, Braque escreveu para um amigo. Esse pensamento reflete o gênio criativo desse grande artista que nunca parou de criar. Em suas naturezas mortas ele estava sempre inovando, incluindo objetos diferentes e utilizando materiais novos.

Na década de 30 ele já era reconhecido no meio artístico, e entre colecionadores, como um mestre nas naturezas mortas, em interiores, e, de vez em quando, uma ou outra paisagem que despertava enorme admiração. Ele continuava a utilizar as inovações formais do cubismo mas suas telas retratavam também o lirismo e a sensualidade que norteavam sua personalidade.

Para Braque, o importante era a criação: “Precisamos nos contentar em criar, em descobrir caminhos novos, explicar é desnecessário”. E a pesquisa, o estudo contínuo: “O progresso na arte não consiste em apenas romper os limites, mas em conhecê-los melhor para saber o que fazer após o rompimento”.

Os cubistas, apesar de preocupados com os problemas formais e concentrados na representação de seu universo íntimo, não foram, de modo algum, indiferentes ao mundo e à vida ao seu redor. Foram sempre partícipes dos acontecimentos e suas obras demonstram isso.

Na imagem de hoje, vemos 'O Estúdio', onde Braque nos apresenta seu local de trabalho, que ele construíra em 1931, numa pequena aldeia na costa da Normandia, perto de Dieppe, chamada Varengeville. Ei-lo à porta de sua casa:

Vocês notarão, com facilidade, as mudanças que devem ter ocorrido no artista ao comparar sua paleta em 1939 com as paletas das telas que vimos mostrando desde o início desta pequena semana dedicada a ele.

Não foi o único quadro que pintou descrevendo seu estúdio. Na verdade, entre 1946 e 1956, Braque voltou a pintar várias vezes o mesmo estúdio. São telas que demonstram as concepções do artista sobre seu trabalho e também como suas lembranças do passado interagiam com seu presente, com lembranças reais ou imaginárias, evocadas pelos materiais usados e colados e pelas imagens pintadas. As cores e as formas continuam janela a fora, no céu pontilhado de nuvens.

A luz que entra pela janela central inunda a peça, iluminando o interior muito colorido, onde podemos ver os mais diversos materiais, do papel de parede pintado à moda antiga ao papel industrial que imitava madeira.

 As informações sobre 'O Estúdio' são da Curadoria do MET. E neste ponto destaco como é bom lidar com um museu que além de permitir que se copie as imagens para fins não comerciais, nos ajuda com dados sobre o autor e sua obra. Isso está se tornando cada vez mais raro... 

 Acervo Metropolitan Museum of Art, NY
Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa para o blog do Noblat

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