segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ateliê do Artista - José Malhoa

Hoje apresentamos Ateliê do Artista, óleo sobre tela, de 93 × 127 cm, executado entre 1893 e 1894.
A obra foi exposta no IV Salão do Grêmio Artístico de 1894, sob o título Antes da Sessão.

Faz parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Dizem que mudaram o nome do quadro para evitar o duplo sentido... Pode ser, mas também pode
apenas ser uma observação maliciosa. De qualquer forma, fica o registro.



Ateliê do Artista' - Semana José Malhoa

José Victal Branco Malhoa, nasceu numa família de agricultores, em Caldas da Rainha. Aos 12 anos,
com seus pais a custo convencidos que o filho tinha um talento para as Artes que não podia ser desprezado,
foi enviado para Lisboa a fim de se inscrever no curso de entalhador da Escola de Belas Artes.

Seu irmão mais velho, que o acolheu em Lisboa, aconselhado por um artista amigo inscreve o rapazola na
Real Academia de Belas Artes, em outubro de 1867. Malhoa foi aluno dessa academia durante oito anos,
sempre obtendo as melhores classificações, o que era essencial para gozar dos cursos ali oferecidos.

Ao terminar o curso tenta uma bolsa para estudar no estrangeiro, mas não é bem sucedido e vai trabalhar na
 loja de confecções de seu irmão, onde fica por três anos. Mas não larga as tintas e os pinceis e é nessa
ocasião que pinta a tela “Seara Invadida” (1881) que, enviada para um Salão em Madrid, é muito bem acolhida.
Isso o anima a largar o comércio e a se consagrar à sua arte.

Como muitos pintores, Malhoa custa a desbravar o bom caminho. Mas seu talento sobressai e começam as
encomendas: o teto do Real Conservatório (“A Fama Coroando Euterpe”) e o do Superior Tribunal de Justiça
(“A Lei”) são dois bons exemplos.

Em 1885 Malhoa se junta a um grupo de artistas que se reunia na Cervejaria Leão de Ouro, em Lisboa, em torno
de Silva Porto, que regressara de Paris para lecionar na Escola de Belas Artes de Lisboa. Aos amigos e
discípulos ele transmitia as decisões da Escola Barbizon e foi o responsável por várias exposições dos artistas
que aderiram ao Naturalismo. É esse grupo que forma a vanguarda da arte portuguesa, segundo os cânones
da Barbizon.

Eles gostavam de se rotular realistas porém, diante das condições de Portugal naquela época, um país longe
da industrialização francesa ou inglesa, essencialmente agrícola, sua arte só poderia ser, como foi,
 naturalista. As telas de Malhoa naqueles dias, com temas do quotidiano, retratando os hábitos e costumes
no campo ou na cidade, em cenas repletas de luz e humanismo, são um rico retrato de seu país.


Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -p/ blog do Noblat
10.9.2012

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